Instituto Moreira Salles

Ficção, compadrio e as tias – Beatriz Resende e Alcir Pécora

IMS | 04.04.2011, 16:59

Neste terceiro debate da seção “Desentendimento”, os críticos literários Beatriz Resende e Alcir Pécora refletem sobre a literatura brasileira contemporânea. A mediação ficou a cargo de Paulo Roberto Pires, editor da revista serrote. A cada mês, o leitor encontrará no blog um debate em vídeo em que os convidados apresentam opiniões divergentes sobre um tema proposto pela revista serrote.

Blocos I e II

Ao pensar sobre o panorama da literatura contemporânea não apenas brasileira, Alcir Pécora afirma que o americano Paul Auster é um autor medíocre, que vive “da tentativa canhestra de parecer engajado”. Pécora refere-se especificamente ao romance Invisível, em que Auster estaria reelaborando questões como o “colonialismo de má consciência” ou “refazendo lugares-comuns e produzindo um romanesco do incesto”. Em seguida, o alemão Bernhard Schlink é visto com reservas pelo crítico. Seu famoso livro O leitor operaria um tema grave (o nazismo) para criar, no fundo, uma história detetivesca permeada por clichês. Esses são dois exemplos em que Pécora identifica um esgotamento do discurso ficcional.

No bloco seguinte, Beatriz Resende chama a atenção para o risco de comparar autores de origens literárias diferentes, uma vez que haveria um confronto desigual de produção. E diz acreditar não ser mais possível haver uma literatura nacional, uma vez que o escritor está sempre sujeito a contaminações de diversas técnicas e linguagens. Já Pécora reafirma ver a impossibilidade de criação de uma nova literatura. E desautoriza o rótulo Geração 90 atribuído a um grupo de escritores paulistas, já que seus autores não teriam promovido uma ruptura verdadeira com modelos anteriores.



Blocos III e IV

Depois das restrições feitas à Geração 90 e ao corporativismo entre os escritores brasileiros, o terceiro segmento avança esse debate. Ambos os críticos condenam a ausência do embate de ideias entre os autores e a relação de cumplicidade que mantêm. “O lugar da literatura virou o lugar das tias”, diz Pécora. Para Beatriz Resende, além de alguns grupos combinarem elogios mútuos, chegam a formam “gangues”, que podem isolar um escritor da mídia.

No quarto bloco, os debatedores refletem sobre um tema crucial: a oposição entre estímulos para o consumo de livros e mecanismos para a formação de leitores. O papel da crítica e da universidade para pensar a literatura contemporânea é o tema que fecha o encontro.


Desdobramentos e reações ao debate aqui e aqui.



40 comentrios para "Ficção, compadrio e as tias – Beatriz Resende e Alcir Pécora"

  1. Mateus Toledo
    05.Apr.2011, 02:14   

    Gostei muito da participacao do Alcir e achei muito ruim a da Beatriz.
    Talvez por isso tenha faltado debate… Apesar das espetadas, nao houve debate propriamente dito. A Beatriz, a meu ver, quando a discordancia ficava clara, nao defendia sua posicao, faltava firmeza no que ela pensava…

    Tenho a impressao de que se o convidado fosse, no lugar da Beatriz, por exemplo, o Roberto Schwarz, o debate teria sido muito mais rico. Haveria discordancia clara e certamente enfrentamento. Embora com menos frequencia do que os dois convidados, ele vez ou outra escreve sobre escritores contemporaneos…

    Mas ainda assim gostei bastante do debate.

  2. 05.Apr.2011, 20:57   

    que papelão o Pécore tentando falar de lit contemporanea fora do Brasil, meu deus do céu.

    praticamente ninguém fala ainda do Paul Auster, e ng tampouco se importa com o middlebrow Schlink. (claro que é medalhão e sai no jornalismo literário, mas só isso).

    se quiser bater o peito e dizer que não há nada interessante na lit atual, que fale daqueles autores *Realmente* respeitados. Bolano, DFW, Sebald, Marías, Coetzee, Murakami, Enard. acompanhar pela Ilustrada não dá, não.

    • Mateus
      06.Apr.2011, 00:18   

      “que papelão o Pécore tentando falar de lit contemporanea fora do Brasil, meu deus do céu. ”

      Maa… Cuma?

      “se quiser bater o peito e dizer que não há nada interessante na lit atual, que fale daqueles autores *Realmente* respeitados. Bolano, DFW, Sebald, Marías, Coetzee, Murakami, Enard. acompanhar pela Ilustrada não dá, não.”

      Tambem senti falta de uma discussao de autores mais relevantes…
      Bater no Auster e, pior, no Schlink e muito facil.
      Mas o que nao invalida necessariamente o argumento do Pecora.

      Pensar que 50 anos atras, escreviam Borges, Faulkner, Beckett, Eliot… E no Brasil Guimaraes, Drummond, Joao Cabral…

      Como nao ver a producao atual como inferior? Tudo bem, alguem poderia dizer:nao ha distanciamente necessario para julgar nossa geracao. Ok, mas quem consegue ler Bernardo Carvalho ou Nuno Ramos e julga-los da mesma estatura que Guimaraes? Ou ler o Coetzee e acha-lo tao escritor quanto o Borges?

      • Marcos Vilela
        07.Apr.2011, 01:08   

        o problema colocado é este: não entender a obra como algo em si. sempre comparando qual é melhor e qual é pior. se eu disser que prefiro drummond a guimaraes rosa garanto que quinze irão desejar meu corpo destroçado em praça pública. se eu disser, então, que prefiro rodrigo melo franco de andrade a machado de assis dirão que foi preguiça de ler a obra inteira de machado. todo esse critério é subjetivo.

        sem falar na forma: pelo menos nuno ramos está tentando alguma coisa nova na literatura. penso que até tentando levar às últimas consequências, mas invertendo e jogando bizarramente, uma prosa meio cyro dos anjos. hoje, hoje, não podemos pensar nisso tão bem. com o tempo perceberemos o que ficou, marcou presença e, também, o que foi indevidamente esquecido. vide, hoje, o revival de paulo mendes campos (felizmente).

        para quem acha guimaraes supremo (e me incluo no grupo) vale lembrar: quando ele disputou com sagarana (o que iria ser sagarana, melhor dizendo) um prêmio não sei qual, ele acabou perdendo para um livro chamado moça perigosa (hoje esquecido).

        é de gosto. os clássicos estão aí, resta não sermos assombrados por eles.

        • Mateus
          07.Apr.2011, 10:29   

          Marcos, que os juizos de valoracao das obras tem um grau de arbitrariedade, isso nao resta duvida.
          Resta saber, no entanto, pq isso é considerado uma impotencia?
          Pq nos ressentimos da ausencia de um criterio que pudesse valorar as obras de arte como que por uma regua?
          Por acaso isso deslegitima a critica?
          Se nao podemos formular juizos universais, dedutivos, imutaveis, entao nao devemos formular nenhum?

          Poderia dizer: ainda bem que os juizos sao arbitrarios, que carregam algo de subjetivo.
          Isso permite pensar o campo da recepcao como tambem um campo de criacao.

          Que valor nao tem genese arbitraria, no sentido de que nao esta inscrito no mundo mas é criado pelo homem?
          Eles sao arbitrarios, nem por isso acho que devemos nos livrar deles.

          Gosto do Guimaraes como da igualdade. Prefiro Borges a qualquer escritor contemporaneo que li, como prezo a liberdade.

          Tudo isso pra dizer que: posso estar falando bobagem(embora intua fortemente que nao), meu juizo pode ser desmentido pela historia, , mas nao consigo pensar o Nuno Ramos (e so escolho ele pq acho que ele é o que há de melhor hoje) como tao grande quanto Guimaraes. A experiencia que tenho lendo ele é menor do que a que tenho com Guimaraes e me sinto no direito de querer um escritor contemporaneo que produza em mim algo da mesma magnitude.

          • Marcos Vilela
            08.Apr.2011, 08:47   

            não tentei buscar uma ciência da literatura, isto é, parâmetros para dizer “isto é bom” ou “isto é ruim” com absoluta certeza. mas deve-se entender que não é por que a crítica diz que é ruim ou nem presta atenção que torna-se menor (ou, para explicitar: ilegível). há certos escritores que a crítica deixou de lado e, hoje, renascem. penso, aqui, no hazlitt.

            concordo contigo que a recepção é praticamente uma criação. só devemos ter cuidado para não julgar nossa “criação” pela dos outros: quantas pessoas nem leram os parnasianos e, depois de lerem uma linha de crítica modernista, acharam que eles eram uma porcaria completa?

            fora isso não sei quanto a essa “magnitude comparada”. tenho umas impressões das camadas de história sobre guimaraes (por mais que ele me arrebate): como negar que já existem uns 50 anos sobre ele em nosso imaginário? isso não ajuda muito em relação ao nuno ramos, que tem o quê? uns 10 no máximo, sendo que a recepção de literatura está cada vez mais afunilada.

        • Mateus
          27.Apr.2011, 03:00   

          Como acho que voce nao respondeu as minhas consideracoes vou retomar, de modo mais claro, o meu comentario anterior.

          Eu havia colocado a questao de que eu considero a geracao atual de escritores como ruim ou inferior a outras geracoes.
          Voce havia me respondido dizendo, salvo engano, tres coisas:
          - juizos de valor comparativos nao sao validos (dizer, por ex, que isto e pior que aquilo).
          - os criterios de valorocao sao subjetivos
          - citou um caso em que um livro hoje considerado grande perdeu para um livro desconhecido. provavelmente como uma prova da relatividade do juizo critico.

          O cerne da minha resposta ia no sentido de dizer: o fato de os criterios de valoracao serem subjetivos nao desligitima a critica.
          Um exemplo: o principio da igualdade (da liberdade, da valorizacao da vida…) eh/sao tambem subjetivo(s), nem por isso tomariamos a medida insensata de desligitimar o judiciario brasileiro.
          (judiciario que, mesmo sobre bases inseguras, compara os crimes… diz que um ladrao merece uma pena menor do que um assasino)

          Com isso quero dizer: os juizos de valor (sejam comparativos ou nao) sao, obviamente, relativos e subjetivos. Erram. Mas isso nao os deslegitimam. Acho que qualquer critica a esses juizos tem que ir alem disso, alem de dizer apenas que eles erram. Poderia perguntar, mas quem afirmou o contrario?
          Ninguem hj que faz critica literaria, que compara autores, acha que esta formulando juizos eternos, infaliveis, imutaveis.
          Quando vc argumenta assim, nao argumenta, na verdade fala sozinho.

          Ao meu ver, acho que com isso respondi, suficientemente, dois dos tres pontos.
          Pouco importa que juizos criticos sejam subjetivos e relativos.
          Ninguem nunca disse o contrario.
          Ficaria faltando a defesa especifica do juizo comparativo.
          Pq eu comparo autores, nao deveria julga-los separadamente?

          Meu argumento era bem simples. Eu comparo pq comparo, oras. Como gosto muito mais de Guimaraes do que do Nuno, me sinto no direito de espernear.
          Nao deixo de ler literatura contemporanea por isso. Tenho a impressao de que quando surgir algo realmente grande, sou novo ainda, sei que vai surgir, a riqueza dessa minha experiencia vai ser dupla. Estarei diante de algo grande e do meu tempo.

          Ja sobre o ultimo comentario:

          Com relacao a isto:

          “mas deve-se entender que não é por que a crítica diz que é ruim ou nem presta atenção que torna-se menor (ou, para explicitar: ilegível). ”

          e isto: “só devemos ter cuidado para não julgar nossa “criação” pela dos outros: quantas pessoas nem leram os parnasianos e, depois de lerem uma linha de crítica modernista, acharam que eles eram uma porcaria completa?”

          Embora sua preocupacao comigo me comova, com todo respeito, nao ha o que responder. Isso tem nome na retorica: falacia do espantalho. na verdade e pior. vc se empenhou em argumentar contra fantasmas.

          “há certos escritores que a crítica deixou de lado e, hoje, renascem. penso, aqui, no hazlitt.”

          Acho que vc nao acrescenta nada com isso.

          “fora isso não sei quanto a essa ‘magnitude comparada’ ”

          Com relacao a isso nao sei mto oq dizer. Apesar da ironia da formulacao, e exatamente disso que se trata. “Magnitude comparada”.
          E intuitivo, incerto, depende do dia… mas acho que existe.
          As vezes ela nao funciona. Nao sei se gosto mais de “Memorias do Subsolo” ou de o “O Cao sem Plumas” (sim, eu sei, sao mto distintos). Mas tenho certeza de que gosto mais de ambos do que de “Mongólia”.

          “tenho umas impressões das camadas de história sobre guimaraes (por mais que ele me arrebate): como negar que já existem uns 50 anos sobre ele em nosso imaginário? isso não ajuda muito em relação ao nuno ramos, que tem o quê? uns 10 no máximo, sendo que a recepção de literatura está cada vez mais afunilada.”

          Acho que faz sentido oq vc diz. Mas, sinceramente, nao sei ate que ponto isso e definitivo na nossa “magnitude comparada”.E provavel que isso que voce diz faca meu olhar pro Guimaraes ser mais generoso, mas nao consigo pensar que isso esgote a questao. Acho, e um crenca mesmo, q nao ha generosidade, ou tempo no imaginario( o que seja), que iguale producoes, a meu ver, tao desiguais.

          Pra terminar (ufa!), um exemplo de magnitude comparada, feita prov uns 10 depois do Grandes Sertao Veredas.

          “Tenho medo de tentar comparações. Não direi, por isso, que a obra de Guimarães Rosa é a maior da literatura brasileira de todos os tempos. Direi porém que nenhuma outra, de nenhum escritor, me deu até hoje, entre brasileiros, a mesma idéia de tratar-se de criação absolutamente genial.”
          (Sergio Buarque de Holanda.)

  3. Leandro Oliveira
    06.Apr.2011, 11:52   

    Pécora, da uma olhadinha num tal de António Lobo Antunes que roda de vez em quando aí na praça e diz aí se não tem nada acontecendo na literatura contemporânea mundial.

  4. Alan
    06.Apr.2011, 18:50   

    Descartando os absurdos (citar Auster e Schlink, como baliza de boa literatura, por exemplo), o Pécora fala algo bastante evidente, mas ainda assim importante: a literatura perdeu o espaço que tinha, principalmente, no início do século XX. O problema é que essa reclamação traz em si um dado impossível, ou seja, a possibilidade de a literatura recuperar sua pujança – em todas as formas.

    Novos e bons autores virão. Mas a gente tem de se acostumar com o fato inevitável de que a literatura vai estar cada dia mais submetida ao mundo em que vivemos – fortemente influenciado por meios que até então não existiam ou eram minúsculos.

    Os bons escritores contemporâneos saberão reelaborar (ou descartar) isso e fazer uma obra. O que isso significa? Ainda não dá pra saber direito. Mas já dá pra dizer que não surgem Kafkas todos os anos. Quantos gênios como ele tem o século XX? É só contar e perceber que não muitos.

    Um grande autor demora para surgir. E surge exatamente dessa imensidão de produção ruim.

    Acho que o papel do crítico, a partir de agora, é saber analisar a literatura sob outros prismas; outras variantes entraram no jogo. O passado é uma fonte inesgotável de referências, mas é impossível aguardar da produção atual padrões anteriores.

    Não estou expondo uma visão relativista, nem querendo dizer que a literatura brasileira contemporânea (ou mundial) é ótima, basta como se olha para ela. Antes de tudo, é preciso ferramentas diferentes para analisar uma literatura cada vez mais condicionada por outros fatores que não apenas livrescos.

    E isso não parece ser o que o Pécora está fazendo.

  5. Eduardo R. Cunha
    06.Apr.2011, 20:06   

    Pécora, volta para Campinas e fica lá eternizando o seu belíssimo departamento de História Literária. Não (faz) fará falta ao contemporâneo!

  6. Rafaela Barros
    07.Apr.2011, 22:33   

    O Pécora defende, e isso fica bem claro quando menciona Dostoievski e Jane Austen, que ausentam-se da literatura contemporânea aqueles traços que transformaram os últimos em grandes autores, capazes de provocar “maldições” na sociedade de sua época.
    Como disse Georg Lukács em seu livro “Marxismo e Teoria da Literatura”, uma fisionomia intelectual bem trabalhada, pode elevar uma obra literária ao posto de grande relevância e magnitude. E afirma que a ausência disso é um dos fatores responsáveis pela decadência da literatura atual, que, não preocupando-se em delinear a personalidade de seus personagens, beira a precariedade de linhas.
    Certos autores contemporâneos não respeitam as normas de composição da literatura, ignorando aspectos importantes, como o citado sobre a fisionomia intelectual dos personagens; e ao propor um novo modelo de se fazer literatura, simplesmente não criam novas regras com as quais possam se basear.
    Não se deve generalizar, pois existem muitos autores contemporâneos (brasileiros ou não) dos quais se orgulhar, autores que, em forma e conteúdo, são capazes de impressionar e provocar regojizo. No entanto, na tentativa – quase sempre baldada – de parecer inovadores, muitos destes autores podem cair no clichê e no erro fatal de simplesmente não trazer nada de novo ou impressionante.
    Além disso, de que forma são tratadas questões cruciais na literatura atual? Certamente que não da forma como eram trabalhadas em grandes romances do século 18, e nem o poderiam, tendo em vista que vivemos outros tempos; mas é raro encontrar formas realmente válidas e significativas de se tratar certas problemáticas nos romances de hoje.
    E isso, a meu ver, pode ser fatal para a consolidação da literatura atual como mecanismo cultural importante na transformação da sociedade. Não que eu espere encontrar Shakespeare a cada livro que abro para ler, mas será exigência demais que autores se qualifiquem na arte da escrita?

  7. sandro
    08.Apr.2011, 12:26   

    Cá entre nós, existe na universidade gente muuutio mais habilitada para falar de literatura contemporânea dos que esses. Tá certo que fazem algum esforço em se comunicar extra-muros universitários (o Pécora faz pouco, pois só se esforça para historiar só o século XVII; já a Beatriz é pobre, mas limpinha). Enfim o IMS pecou nas escolhas, pois só investiu em “nomes” não em substância. Se fez de besta e não rolou nem entendimento nem desentendimento.

  8. Marina
    10.Apr.2011, 14:39   

    Que preconceitozinho com a Beatriz, hein? Ela não entra mesmo muito em conflito, mas levanta pontos importantes como por exemplo o fato de a Literatura ser rejeitada na própria universidade e o desejo romântico por grandes escritores e”o grande poeta” que ronda a Literatura e molda as fantasias do leitor mediano. Apesar de o Pécora tocar um certo disco riscado, não pude deixar de concordar extremamente com ele quando falou do “Invisível”, do Auster, livro chatíssimo! Sei que deve ser um recurso descomplicado para um intelectual cansado e que ele deveria ter ido mto além, mas tem utbm um ponto importante no qual concordo com ele: precisamos formar leitores. Nesse momento o discurso sobre “leitor-consumidor” da Beatriz peca mesmo, mas deixem de lado essa mania de analisar o debatedor ao invés de analisar o discurso, parece aquela retórica sujinha de atacar pessoalmente o oponente para desviar o foco da discussão: “Pobre, mas limpinha”? Está interessado em Literatura ou em “vencer o debate sem precisar ter razão”? Aliviem essa mãozinha pesada no teclado que o anonimato virtual parece proporcionar e vão para o debate com eles.

  9. rafaela gimenes.
    13.Apr.2011, 10:25   

    Gostei dos apontamentos de Beatriz Resende e de alguma coisa que o Pécora disse.

    Estou no último ano de Letras da UEL e concordo muito com o que Beatriz Resende colocou como “a grande falência da universidade”. Não é só nas universidades do Rio ou na USP. A coisa tomou proporções gigantescas e se os próprios professores de Língua Portuguesa não gostam de Literatura… Já imaginou, né?

  10. Bruno Marcondes
    23.Apr.2011, 12:15   

    Queria que esse Pécora voltasse aos livros de redação dele e parasse de encher o saco.

    No Segundo Caderno tá lá ele querendo tirar onda com filósofos contemporâneos, como Wittgenstein, Davidson e Rorty, que realmente são bem mais interessantes e trazem muito mais novidades que essa literatura forjada atual.

    Só penso que esses caras da academia deveriam ser menos engessados. Fui aluno da UERJ e como vi picareta por lá.

  11. 23.Apr.2011, 15:03   

    Eu gostei disso e vou usar b no meu blog:

    “Um grande autor demora para surgir.
    E surge exatamente dessa imensidão de produção ruim.”
    Alain seilaquem

  12. João José
    23.Apr.2011, 18:57   

    Que há algo de errado com o Brasil ( a cultura brasileira) não resta dúvida. Noto isso sempre que passo por uma livraria ou uma loja de cd’s… Quando vou nesses lugares, não sinto vontade de comprar coisas brasileiras… Não há nada que empolgue, que nos comova, mobilize ou agite. Tudo é comum, descarnado… às vezes, até bobo. Em suma, as coisas brasileiras (artes, teorias) são sem tesão. É igual ao país atualmente, sem vida, sem luta, sem tesão. Não dá vontade de comer.

  13. 24.Apr.2011, 22:16   

    O Alcir Pécora é escritor? Porque precisa escrever para falar de literatura. E outra coisa, por que tanto espaço para quem só fala de cânones? Conheço esse papo de “não tem nada de relevante”. É uma forma de fugir da raia. Oras, não precisa ir tão longe para citar gente boa no Brasil: João Gilberto Noll, José Castello, eu mesma. O problema do Brasil é a mediocridade de seus “pensadores”.

  14. 25.Apr.2011, 14:13   

    A Beatriz tem a opinião que mais me agrada em relação a produção literária destes modorrentos anos dois’mil. Sabe que não há nada de muita relevância sendo feito por aqui no Brrrrasil, mas também sabe que a criação artística é subjetiva, e não algo que tenha uma função ou seja prática pra algo ou alguém. O Alcir tem a fagulha da polêmica, bastante necessária, e provavelmente, sua opinião foi o que fez este debate ser tão comentado por aí (eu soube pelo jornal carioca). Sim, o Alcir está correto ao dizer que não há nenhum Dostoiévski entre nós, mas está sendo besta ao pensar que deveria existir um Dostoiévski de 50 em 50 anos. É a mesma opinião que diz que o cinema acabou no cinema mudo, e que ninguém mais faz música depois de Beethoven. Alcir é um crítico que tem o pensamento preso nos quereres acadêmicos. Ele acredita que a literatura (a arte em geral) tem alguma função. Que pena. Não tem. É como se estivesse comparando um poema à um liquidificador. É uma forma muito ocidental (pra não dizer capitalista e incitar os demônios por aqui) de se pensar as cousas. Essa é a crítica que pensa que um escritor está escrevendo algo para poder salvar a humanidade. Isto não se faz nos livros. E se Kafka, e outros, refletiram ou mudaram o mundo, é porque não era mais que natural na época se pensar assim (e olhe lá, porque posso dizer que Kafka estava apenas colocando os sonhos no papel e fazendo isso como quem faz tricô. Mas isso é o meu humor). Eu, como artista que tem o trabalho com a palavra como matriz para todas as outras atividades que pratico, e que se preocupa com o futuro do futuro, sinto que o exercício criativo vai muito mais além do que a produção do grande romance da geração, a grande obra que compreende a humanidade em determinado período, isso é papo de quem escreve bíblia. Escrever é muito mais do que escrever pro mundo.

    Em outro momento o Alcir falou da internet, as redes sociais, os blogs, e ali sim, paradoxalmente, ele me pareceu fazer sentido com o contemporâneo. Acho importante discutirmos isso. Aí sim pode estar uma lança de estética da vida moderna que poderá influir nas linguagems literárias.

    E o Paulo Roberto Pires que ninguém falou por aqui? Bravo!

    No mais, o IMS tá escrevendo a história.

  15. Laiza Campos de Toledo
    25.Apr.2011, 17:36   

    As palavras do professor Alcir Pécora encontram a perfeita explicação na intervenção, aqui nos comentários, da senhora Cida Sepulveda:

    “O Alcir Pécora é escritor? Porque precisa escrever para falar de literatura. E outra coisa, por que tanto espaço para quem só fala de cânones? Conheço esse papo de “não tem nada de relevante”. É uma forma de fugir da raia. Oras, não precisa ir tão longe para citar gente boa no Brasil: João Gilberto Noll, José Castello, eu mesma. O problema do Brasil é a mediocridade de seus “pensadores”.

    Alguém que acha que é necessário ser escritor para falar de literatura e cita ela mesma como “gente boa” que faz literatura no Brasil… não é exatamente o tipo de pedante corporativista que o Pécora critica? Parabéns ao IMS pelo debate.

    • Antonio Leal
      26.Apr.2011, 20:44   

      Ao ilustre Profesor e Crítico Alcir Pécora: “Artista bom é artista morto!”. Sempre foi assim, sempre será. Eles não reclamam, não criticam, não xingam, são bonzinhos, e a gente só precisa comentar aqueles que se consagraram como monstros geniais. Fica fácil. Àqueles que ficam prestando honras ao ilustre professor (pelo cargo e pela posição que ocupa), um lembrete nada supreendente: os idiotas brotam do asfalto!”(Nelson Rodrigues – diga-se, um esquecido no seu tempo)

    • Fábio
      27.Apr.2011, 00:19   

      Laiza, pra quem estudou na Unicamp e conhece o Pécora, sabe que ele é mais político que crítico. E político no mau sentido…

      Um grande professor de lá, quando saiu entrevista com o Pécora no Jornal da Unicamp, em que ele afirmava que não havia crítica no Brasil, esse ex-professor, convidado por mim a comentar a nota do Pécora, não quis falar, só me respondeu: esses que estão no jornal (Pécora e seu coleguinha Franchetti) só querem saber de polemizar pra se aparecer…

      Quanto ao que vc escreve da Cida, vê-se que vc tá mais pra laia do Pécora. Indelicada, grosseira e ignorante, porque chama de pedante corporativista uma grande escritora que vc sequer leu!!

      Leia Cida e veja como ela é boa demais! Pode perguntar a Manoel de Barros, a Roberto Romano, a Arnoni Prado, a Wanderley Geraldi, a Suzi Sperber…

      FabiBeijos!

  16. francisco cortazar
    25.Apr.2011, 22:59   

    Acredito que esta discussão é inútil…no Brasil e no mundo os grandes escritores surgem de um apanhado de lixo e idiotas…a crise literária é mundial..(CULTURAL) o mundo emburreceu…no entanto, acredito que GRANDES nomes estão surgindo e outros serão descobertos….vamos ler…aposto que muitos dos escitores citados aqui não foram lidos pelos internautas que aqui escrevem…se gastássemos nosso tempo lendo em vez de discutir o que deveríamos ler todos ganharíamos…a crítica sempre foi meio cega mas com o tempo tudo se esclaresse…ademais, o carma da arte é esse…o de não ser descoberto….e se o amigo do kafka tivesse seguido seu conselho?

  17. 26.Apr.2011, 18:35   

    A senhora Laiza, em vez de contribuir para o debate se limita a tesourar minhas afirmações. Não sou eu que afirmo que escrevo muito bem, mas Manoel de Barros. Só para ilustrar minhas colocações: Certa vez liguei para Antonio Candido pedindo a ele que lesse meus contos, pois Manoel de Barros os elogiara muito e eu gostaria que o professor apreciasse meu trabalho. Ele me respondeu: Se Manoel de Barros gosta do seu trabalho, dê-se por satisfeita. Ele é poeta, pode avaliar muito melhor uma poesia do que eu.
    Creio que o debate é válido sim, desde que não caia, mais uma vez, nas rodinhas dos que dominam espaços apenas porque pertencem a instiuições.
    Quanto a Dostoiévski seria curioso imaginar a reação dele se conheesse os nossos ilustres acadêmicos que preferem só falar de escritores mortos e consagrados.
    Nâo tenho falsa modéstia nem me acho única, mas sei que estou entre os raros, quer a Sra. Laiza goste ou não.
    O espaço precisa mais é se expandir sem mordaças e compadrios. Isso é verdade.

    • Mateus
      27.Apr.2011, 01:18   

      Querida Cida, veja que curioso:
      para defender a hipotese de que para julgar uma obra literaria ha de ser escritor, qual argumento deste?
      (na verdade nenhum, mas) a opiniao de um critico literario (notavel, mas nao de um escritor).

      Engracado, ne?

      • 28.Apr.2011, 17:42   

        Senhor Mateus,

        Não entendi o porquê do Querida. E nem seu objetivo. Antonio Candido é um crítico literário notável e disse o que é melhor a opinião de um poeta do que a de um crítico. Será que o Sr. não entendeu o que escrevi?
        De fato, Antonio Candido é um estudioso notável, tem uma vasta obra. Não é o caso dos “críticos” aqui citados.
        Quanto ao senhor, nem sequer se identificou completamente. Portanto, já respondi demais a um fantasma.

        • Mateus Toledo
          03.May.2011, 03:57   

          Cida. Me desculpe a falta de educacao.
          As vezes confundo provocacao com grosseria…

      • Camila Alves
        28.Apr.2011, 18:30   

        Caro Mateus,

        gostaria respeitosamente de alertá-lo sobre uma falha lógica em seu argumento. Considere as afirmações:
        A=”para julgar uma obra literária há de ser escritor” ;
        B=”um não escritor (no caso, Antonio Candido) apóia a afirmação A” .
        Não existe contradição em sustentar A utilizando B, uma vez que a afirmação A não fala nada sobre o ATO DE DAR OPINIÕES SOBRE QUEM PODE JULGAR UMA OBRA, apenas sobre QUEM PODE JULGAR UMA OBRA.
        Você estendeu a abrangência de A e acabou por criar uma falácia. Cuidado! Sei que às vezes é difícil evitá-las, mas é bom se esforçar, pois elas estragam qualquer discussão.

        • Mateus
          03.May.2011, 03:54   

          Camila.
          Mea culpa: estou, e claro, sendo grosseiro. Estou tomando ao pe da letra a colocação da Cida, que ta mais pra provacacao do que pra argumento.

          Bom… explico onde eu vejo incoerência:

          A Cida defende que apenas escritores podem opinar sobre obras literárias. Faz isso – eh importante lembrar pra não cair em simplificações logicas – na intenção de deslegitimar a fala de um CRITICO não escritor.
          Dai lança um outro argumento em apoio: “Falei com o Antonio Candido no telefone e ele concorda comigo.”
          Eh obvio que se trata de um argumento de autoridade. Caberia, então, perguntar: Autoridade em que?
          Qual a unica resposta que mantem a coerência do discurso?
          A absurda: “autoridade em julgar a respeito de quem julga melhor a respeito de obras literárias” ?
          Ou não seria mais sensato supor que ela, incoerentemente, esta afirmando a autoridade do critico Antonio Candido para falar de literatura , simplesmente, falar do campo da literatura em geral?
          (Estou, obviamente, juntando o que vc havia separado. )

        • Mateus Toledo
          03.May.2011, 04:01   

          Mea culpa: estou, e claro, sendo grosseiro. Estou tomando ao pe da letra a colocação da Cida, que ta mais pra provacacao do que pra argumento.

          Explico onde eu vejo incoerência:

          A Cida defende que apenas escritores podem opinar sobre obras literárias. Faz isso – eh importante lembrar pra não cair em simplificações logicas – na intenção de deslegitimar a fala de um critico não escritor.

          Dai lança um outro argumento em apoio: “Falei com o Antonio Candido no telefone e ele concorda comigo.”

          Eh obvio que se trata de um argumento de autoridade. Caberia, então, perguntar: Autoridade em que?

          Qual a unica resposta que mantem a coerência do discurso?

          A absurda: “autoridade em julgar a respeito de quem julga melhor a respeito de obras literárias”?

          Ou não seria mais sensato supor que ela esta afirmando, incoerentemente, a autoridade do critico Antonio Candido para falar de literatura , simplesmente, falar do campo da literatura em geral?
          (Estou, obviamente, juntando o que vc havia separado. )

  18. Diego Dosansil
    29.Apr.2011, 21:14   

    Andei pensando sobre esse movimento crítico generalizado, em direção ao que é novo, contemporâneo e essa veneração, quase que platônica, dirigida aos clássicos. A leitura das obras clássicas é fundamental, concordo e me oriento pela análise de Italo Calvino em: “Por que ler os clássicos”, por exemplo. O que não me convence é esse discurso de que um Dostoievski, um Camões, são insuperáveis, que talvez nunca mais aja equivalente na literatura mundial. Ou ainda, que hoje não se pode criar nada novo, que possua vitalidade e possa sobreviver, rumo à posteridade. Não posso deixar de pensar que, quando Dostoievski era moço e trocava intensa correspondência com seu irmão Mikahil, cheio de ambições literárias e muito talento, mas sem reconhecimento algum, já existia a Ilíada e a Odisséia de Homero, já existia a Divina Comédia de Dante, e toda a obra de Petrarca. Imagine Dostoievski, ouvindo a um indivíduo corresponde ao Dr. Pécora, em sua época. Imagine ele deixando-se desmotivar por esse discurso, de que o magnífico, o sublime, já houvera sido escrito. A utilização de elementos de um período anterior, para julgar a qualidade e menosprezar o posterior, se fosse procedimento efetivo, teria encerrado a história da literatura na antiguidade clássica grega. Também, não me agrada essa atitude do Dr. Pécora, que menospreza o conceito de imitação e continuação na literatura. Acho que há espaço para a imitação, a repetição do consolidado e do sublime, assim como há o espaço para o novo, completamente novo, digo. Não sou adepto da ditadura da inovação absoluta, e para mim os conceitos de continuidade do estilo clássico, a recuperação temática, podem ser válidos, na medida em que os problemas profundos da nossa sociedade mantém-se os mesmos em sua essência, os mesmos da época de um Kafka, de um Balzac, ou de qualquer outro grande escritor. Qualquer um que puder ler “Os Miseráveis” de Victor Hugo, encontrará ali grande atualidade, a repetição desses temas, o exemplo, a obra de referência, não são elementos destrutivos, na literatura, como podem parecer na boca de um crítico ferino.

    • 30.Apr.2011, 17:58   

      Prezado Diego,

      Dá gosto ler sua colocação. Equilibrada, aberta, animadora.

      Obrigada

  19. Diego Dosansil
    02.May.2011, 18:29   

    Olá Cida, fico muito satisfeito por ver que alguém da sua qualidade literária corrobora com meu ponto de vista. Obrigado, até mais.

    • 02.May.2011, 22:26   

      Diego,

      Não por isso. Vamos dar sentido ao Brasil para não morrermos dele, não é?
      Acho que compadrio só é ruim se for hipócrita e interesseiro. Se for por amor à arte, por que não? Veja, não nos conhecemos, mas já parecemos compadre e comadre. Rs

      Abraço, Cida

  20. Alex
    10.May.2011, 21:19   

    Enquanto esperava os vídeos carregarem, estava aqui lendo os comentários, pelas reações, imaginei o Sr. Pécora a urrar ou uivar a mediocridade da literatura contemporânea, mas ao assistir o vídeo vi apenas leve balido, o desentendimento lá passou longe. Se imaginei Pécora desferindo poderosos golpes de sabre com a senhora Resende a desviar, não passou de jogo de pingue-pongue de duas idosas.
    Se o balido insistente de Pécora gerou reações raivosas aqui e em outras paragens, é pelo motivo de haver algo de verdadeiro e muito incômodo em suas afirmações, tocou em nervo exposto cuidadosamente dissimulado.
    Eu, leitor, sofro em jogo viciado, se nas regras do pôquer ao pagar para ver, me deparo com um blefe, recebo meu dinheiro, em literatura, ao pagar para ver, perco duas vezes, meu dinheiro e meu tempo. Chega hora que já estamos sem paciência com estes artífices criando produtos de papel travestidos de literatura; a cada ano um prêmio, a cada ano uma fraude, o mesmo compadrio, e nisto ambos tem cátedra a entender, afinal, não existe local mais nojentamente corporativista que a academia.
    É esta “morneza” modorrenta que involui a literatura, são estas perguntas, que mesmo sussurradas gritam, se a literatura há de sobreviver é preciso deixar a chama queimar, levar ao campo de batalha todos os argumentos e não enterrar as contendas. É uma guerra, não a idiota das bombas e genocídios, mas a guerra dos argumentos, da razão, das perguntas apócrifas que devem ser caladas para a “mediocracia” predominar, assim, todos vencem, só perde a literatura.

  21. 17.May.2011, 13:55   

    eu não vou atacar, alfinetar ou discutir com ninguém…já fiz muito isso em outras datas. agora tô numas de lembrar o que a–gente esqueceu dos anos 70/60 e de 8 deitado. e da grécia ou roma – berço sem esquecer o oriental que a gente desconhece no geral.

    mas queria só botar uma idéia na roda…um pontinho.:

    tenho muito pouca bagagem
    mas acredito que todo mundo tem voz

    como tim aprendi – vale tudo
    com o raul – acho tudo isso um saco

    com o oswald-o – o gênio é uma piada

    com a clarisse – é preciso de ajuda pra atravessar a sala

    como o caetano – araçá azul é sonho e segredo/ araçá azul não é segredo

    com o borges – a gente não precisa terminar um livro, só precisa ler

    com o chico – a roda viva (que a gente já fez e faz e faz e fez e )(copia e faz

    com o cartola – o mundo é um moinho

    com a gramática – transgressão = evolução = a ferida aberta = anticorpo = pó =

    com o kamus – o absurdo / a peste / o último homem nunca é o último homem e acaba no 1/2 – em processo, percurso, acidente de carro

    com os futuristas – a beleza da máquina/ o acidente/ o incidente

    com nova york – a insubmissão cultural ( freud é freúde não é fróid) paris disse tbm

    com a inglaterra – o mundo é um jogo de xadrez

    com o rio de janeiro – oiticica

    com o oiticica – o mundo e o sensível no mundo

    com o lobisomem – fé e pé / na estrada

    com a carochinha – só confie em si mesmo

    com o si mesmo – o mundo=eu=mundo=eu=

    com o google – oráculo moderno (A.I.)

    com o matta-clark – a construção é prima/irmã do destroço

    e com um advogado, talvez 2
    (não lembro o nome agora.. mas fez uma latinha chamada:
    a merda do artista, que vale milhões hoje e outra que é um
    certificado de autenticidade e outras….)

    aprendi que a gente precisa viver agora e abrir a cabeça

    com um amor – outrar-se

    domeneck – buim e rom

    com calixto – blues etílico

    com a lapa – errar (em todos os sentidos)

    com o globo ocular e com a disney – entrelinhas

    com a internet – rizoma

    com a vida – o sangue e os amigos (de verdade)

    com a verdade – ficção/ sci-fi

    com o hi5 – planejar a construção da porta

    com a ponte – a porta aberta pra amigos de carne e osso e sangue e erro e água

    e ainda continuo, aprendendo com tudo
    incluindo a lacraia (dançarino de funk)(bicho)(nós)(nó)(noise)

    eu não sei se poesia dá pé
    mas não sei fazer outra coisa

    poesia=arte=literatura=critica=mundo=análise=eu=você=roda=cor=forma=feto= tudo = ?

    e todo mundo pode e acho que devia….

  22. Ivan
    25.May.2011, 01:46   

    Esquecem que escrever não é capricho comparativo, é expressão.

  23. Elizabeth Mendonça
    31.May.2011, 17:52   

    Grandes autores não vão surgir no contexto universitário. Esqueçam, nesse caso concordo como Pécora. Em relação ao corporativismo entre os autores, acredito que a Torre de Marfim está de volta. Acho um tédio, essa lei mercadológica de dizer é fulano, leiam, Nobel, Jabuti ou isso ou aquilo. Só é bom porque ciclano, marrano e terçano da intelectualoide elite letrada disse. Tem dó. Também acho que os dois críticos mantém a sua posição de hegemonia Rio-SP e esqueçem o resto do Brasil. Tenho a ligeira impressão que para eles só existem o sudeste e com algumas incersões, o Sul. Chato e elitista isso. Então não dá para falar de literatura brasileira contemporânea porque o país é um continente, ninguém conhece abrangentemente tudo o que é produzido. Portanto, acredito que eles estavam conversando sobre um país que não reconheço, uma província litorânea, talves seja isso ? Logicamente cercada de grupos Ae B e suas Flips e prêmios e revistas e editoras e mercado e afins.

    Penso nos autores desconhecidos que só publicaram tempos depois, como Cora Coralina e Manoel de Barros. Não eram da provîncia litorânea. Não se sabe o que se está sendo produzindo no Brasil, repito mais uma vez, porque não se conhece o Brasil, não há espaço para todos e o mercado regula tudo, portanto o debate no seu tema em si, foi meia tampa.

  24. Bruno Marcondes
    10.Jun.2011, 15:21   

    Só mais uma pergunta, para apimentar: Franz Kafka foi um escritor reconhecido ou foi póstumo?

    Tá na hora de parar de cagar regras, hein, seu Pécora?

    • Alex
      15.Jun.2011, 10:25   

      Difícil seria se Kafka fosse reconhecido em vida sem ninguém ver seus escritos, estes apenas caíram nas vistas do público por uma falta se seu amigo, que se comprometeu a queimá-los depois da morte do escritor.

      Abraço,
      Alex

 
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